ARQUITETURA NO BRASIL SISTEMAS CONSTRUTIVOS SYLVIO DE VASCONCELLOS PDF

O livro trata dos sistemas construtivos tradicionais com Trabalho Final de Gradua. Diferente de outras cidades do Brasil, Ouro Preto n. Esse fato obrigou o Senado da C. Dentre elas, incluem- se as pontes e os chafarizes. Estas obras eram postas em concorr.

Author:Tygolabar Vudogis
Country:Haiti
Language:English (Spanish)
Genre:Software
Published (Last):17 October 2010
Pages:228
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ISBN:778-7-21254-154-4
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Por tal razo fizeram-se algumas correes no texto ora apresentado, embora tenham restado alguns perodos nem sempre claros. Acrescentou-se tambm um sumrio ndice, que funciona como tentativa de facilitar as consultas e oferecer orientao didtica mais evidente.

Inseriram-se ainda vrias notas de rodap, sob o ttulo notas do C. Nossas notas tambm fazem referncias magnfica arquitetura maranhense, com a qual vimos hoje no C. Os desenhos foram refeitos pelo universitrio Antnio Carlos Campelo Costa, hoje arquiteto, e tm duas sries de numeraes, conforme os originais: uma sob a indicao fig.

ALICERCES Salvo o caso de emprego de taipa de pilo, cujos alicerces seriam, quase sempre, do mesmo material e sem soluo de continuidade com paredes, em nossa arquitetura s encontramos alicerces propriamente ditos nas construes de paredes ou estruturas macias de alvenaria, sejam de pedras, de adobes ou de tijolos.

Os alicerces salvo j citados, so sempre de alvenaria de pedra e barro, neles aparecendo a argamassa de cal somente em casos raros ou muito recentemente, j no sculo XIX.

A alvenaria praticamente a mesma usada nos macios aflorados, apenas empregando-se pedras to grandes quanto possvel, em camadas e caladas com pedras menores. Aparece a argamassa de barro ou apenas a calda para encher pequenos vazios. A calda nada mais que um barro muito liquefeito, ralo e capaz de, entornado por sobre a alvenaria j mais ou menos assentada, e por gravidade, penetrar em todos os interstcios nela existente.

Difere do barro por ser este colocado depois de feito o trecho de alvenaria, e no concomitantemente embora possam o barro e a calda serem usados simultaneamente numa mesma obra. Chamam tambm ateno os respaldos dos alicerces, sempre muito bem feitos e nivelados muitas vezes com capeamento de lajes onde vo assentar os macios das paredes. Este respaldo cobre os alicerces em toda sua extenso, no sofrendo soluo de continuidade, nem mesmo nos vos que vo construir soleiras.

Mesmo no caso de estruturas independes de madeira, quando ocorre o alicerce o seu ensoleiramento ou respaldo , os ps direitos, as aduelas e os esteios apenas se assentam sobre este ensoleiramento, no penetrando nos alicerces. Quanto ao dimensionamento, os alicerces variam naturalmente em funo dos volumes que vo suportar, aprofundando-se e alargando-se a medida que as paredes suportadas se alteiam.

Variam naturalmente em funo do tempo, sendo menos profundos quando mais recentes. Em todo caso, no so muito mais largos que as paredes perifricas, a salincia ainda menor que um palmo, 6 Sistemas Construtivos Adotados na Arquitetura do Brasil principalmente quando o alicerce aflora sobre o terreno.

Ainda quanto ao respaldo ou ensoleiramento, costuma ele formar salincia sobre as prumadas, constituindo-se em cordo simples ou em molduras compostas. Alm dos alicerces vamos encontrar, no caso de pavimentos elevados do solo, embasamentos tambm de alvenaria, de cantaria ou de ensilharia.

Estes embasamentos, baldrames, como ainda hoje se chamam no confund-los com os baldrames, viga de madeira nas estruturas independentes , preenchem o espao entre os alicerces propriamente ditos e o nascimento das paredes, ao nvel do piso, podem tambm aparecer como falsos alicerces, no se aprofundando no solo, funcionando apenas para fechar o espao vazio entre o terreno e o baldrame de madeira, nas estruturas independentes, s vezes, casos de certo modo reforam o aludido baldrame, principalmente quando a vedao empregada composta de adobes e no de pau-a-pique.

Contribuem ainda para evitar a ao das guas sobre as partes baixas da parede. Em obras mais importantes podem ser construdos de cantaria ou de ensilharia, advertindo-se aqui sobre estas modalidades falaremos quando tratarmos das alvenarias de modo geral.

Em todo caso quando no revestidos de massas, apresentam sua face externa mais ou menos aparelhados. Em determinadas construes vamos encontrar especificaes prprias para os alicerces, como no caso das cadeias, onde se exigem pedras do maior tamanho possvel, atravessando a alvenaria de face a face e com profundidade aumentada evidentemente, tomavam-se todos estes cuidados, para evitar possveis fugas dos presos.

De modo geral, em residncias, os alicerces tm profundidade em torno ou menor que 1,00 m e largura em torno de 0,60 m. So assim, macias e podem ser constitudas de taipa de pilo ou alvenaria, sejam de pedra e barro, pedra e cal, adobes ou tijolos. A tcnica de sua execuo consiste em armadas formas de madeira-tbuas colocadas longitudinalmente as taipas como se faz ainda hoje como o concreto, so mantidas em sua posio por meio de travessas e paus prumo, onde dentro delas colocado o barro, j bem amassado, em camadas relativas largura das tbuas das taipas.

Em seguida, o barro comprimido a pilo ou com o auxilio dos ps, de modo a obter-se maior consistncia de massas. A camada de barro tem altura de mais ou menos 0,20 m, reduzida, aps o apiloamento para 0,15 m a 0,10 m.

As taipas se sucedem verticalmente umas sobre as outras, cada fiada prolongando-se por toda a extenso da parede ou por toda a extenso da periferia da construo, que assim sobe, concomitantemente em toda sua dimenso. O barro empregado deve ser escolhido e, se a tcnica de sua escolha e fatura no se tenham conservado bem, depende como ficou dos arteses que praticavam e da tradio oral, deveria pedir que a terra fosse misturada com areia e argila, pelo menos para que se conseguisse maior aglutinao e menor possibilidade de desintegrao rachadura, fenda, etc.

Por isso mesmo apareceu, na mistura do barro, o estrume de curral, principalmente de gado vacum, as fibras vegetais ou mesmo a crina animal, todos estes materiais visando armar o barro com uma trama interna. H tambm tradio de se 8 Sistemas Construtivos Adotados na Arquitetura do Brasil juntar ao barro o sangue de boi como aglutinante.

A espessura das paredes de taipa de pilo, salvo os casos especiais de grandes alturas, varia entre 0,40 m e 0,80 m. Raramente, como dissemos, estas paredes so reforadas internamente com peas de madeira, colocadas longitudinalmente em distncias de 0,60 m a 1,00 m da outra. De certo modo uma armao do barro, um compromisso sem dvida com a tcnica de estrutura independente, uma garantia de amarrao pelo menos 1.

Quando ocorrem, estas peas vo compor, na altura prpria, as vergas dos vos. Encontram-se ainda, nestas paredes, peas de madeira colocadas transversalmente, porm aqui sem qualquer funo estrutural de amarrao tendo servido apenas como travejamento das taipas ao tempo da construo e deixadas perdidas. Quando so retiradas, do lugar a orifcios conhecidos pelo nome de cabod.

Em construes especializadas, como nas cadeias, pela facilidade que a taipa de pilo oferece perfurao, eram as paredes reforadas com engradamento de madeira na sua espessura, como alma, ou em sua face interna, revestindo-as. J em , em So Paulo, ordenava-se Em , por no ter sido possvel fazer a cadeia de pedra, ordenava-se que fizesse de taipa de pilo com vigas de banda de dentro de pau a pique.

Em , outra determinao queria as paredes com vigas bem fortes e que ficassem unidas pela banda de dentro. Encontramos ainda em o compromisso de um construtor em fazer a cadeia nova com paredes de grossura e largura de 4 palmos e levantada estaca pelo mago das paredes at as vigas.

Essa mesma cadeia apresenta vigas espaadas de palmo e meio ou palmo e trs dedos 2. Em todo o caso, o espaamento entre as peas de madeira deveria ser inferior a dois palmos, sendo as peas de boa seco, alis, igual reforamento vamos ver nos pisos, quando tratarmos do assunto. As paredes so usadas in natural, recolhidas de rio ou do prprio local da construo, como no caso de Diamantina, onde o cascalho mido empregado conhecido pelo nome de cristal podre ou piruruca 3.

A taipa desta modalidade a formigo 4. O uso da taipa foi mais difundido nos primeiros sculos da colonizao, desaparecendo quase por completo no sculo XIII. Encontra-se tambm nas regies pobres de pedra, tendo sido, porm largamente empregada em todo o Brasil, principalmente no litoral, desde os muros de taipa grossa de defesa, como o construdo na fundao da cidade de Salvador 5 ou a casa forte de taipa de pilo, construdo mais duradora levada a efeito no Brasil, at as grandes igrejas, matrizes do interior de Minas Gerais.

Langsdorff 6 encontra a taipa de pilo nos arredores de Cuiab, onde muitas casas conservam a cor sombria da taipa de que so feitas, bem como muros e cercados. Parece, todavia, ser em So Paulo e Gois onde a taipa obteve maior aplicao, chegando Vauthier 7 a dizer que as casas de taipa caracterizam a provncia de So Paulo.

Muitas so tambm as referncias de outros viajantes sobre o sistema, entre as quais as de Mawe 8 9 que nos descreve o processo de sua fabricao: Constri-se um arcabouo com seis pranchas mveis justapostas e mantidas nessa posio por meio de travesses presos por pinos mveis e vigas, medida que avana o trabalho.

Coloca-se o barro em pequenas quantidades que os trabalhadores atiram com ps, umidecendo-o quando para dar-lhe maior consistncia. Cheio o arcabouo, retiram o excesso e prosseguem na operao at rebocar todo o madeiramento da casa, tomando-se o cuidado de deixar espaos para as janelas, portas e vigas.

Conclui, afirmando: A massa, com o correr do tempo, endurece, as paredes, perfeitamente lisas na parte interna, tomam logo qualquer cor que o dono lhes queira dar e so, em geral, ornadas com: Tambm Koseritz elogia o sistema, dizendo: edifcios enormes construdos na sua maior parte de taipa, mas que ainda esto de p.

E ser difcil demol-los, pois com o tempo a taipa em pregada, que de qualidade especial, se petrifica. Em Minas Gerais tambm encontramos a taipa de pilo nas igrejas como nas matrizes mais antigas ou em residncias, em certas regies. Nestas, porm, o seu uso foi bem mais restrito entre ns, aparecendo mais no norte do estado, possivelmente por seu maior intercambio com o litoral.

Na regio central do ouro aparece apenas nas igrejas, talvez pela dificuldade do seu uso em terreno acidentado, exigindo sempre a terraplenagem prvia e pela facilidade em emprego de outros materiais, como a madeira e a pedra. Sistemas Construtivos Adotados na Arquitetura do Brasil Saint-Hilaire nos d notcia da taipa em Minas tambm, em Vila do Fanado Minas novas , afirmando ser a mesma tcnica empregada na Europa, onde conhecida com o nome de pis. A mesma semelhana com o sistema europeu encontraram em So Paulo, Spix e Martius.

A origem do sistema perde-se no tempo. A maioria dos autores acredita ter vindo do Oriente, de l espalhando-se por toda a Europa, onde grandemente usado durante toda a Idade Mdia. Nada melhor para caracterizar as edificaes de nosso primeiro sculo do que o regimento dado a Tom de Souza em 17 de dezembro de , onde determinava El Rei fizesse ele uma fortaleza de pedra e cal e, se no pudesse construir com este material, que a fabricasse de pedra e barro, ou ento de taipa, ou ainda de taipa, ou ainda de madeira, e continua: Faa-se a fortaleza como melhor pode ser.

V-se, assim que o ideal almejado era a pedra e cal, empregando-se outros sistemas menos duradouros nos casos de ser verificado a impossibilidade da obteno de pedra, ou na maioria dos casos, da cal.

De fato, muitas das primeiras construes erigidas no Brasil foram de pedra e cal, como por exemplo, a torre que Duarte Coelho levantou logo ao chegar a Olinda, por volta de , como nos conta Gabriel Soares. Foram ainda usadas nos primeiros sculos as pedras importadas do reino, traduzidas como lastro dos navios entre as quais se salienta o lis portugus.

Nos ornatos exteriores, sobreportas, relevos, etc, a preferncia pelo material recaiu sempre sobre a pedra, naturalmente nas mais fceis de trabalhar, como os calcreos, os arenitos e, em Minas, as pedras talcosas, serpentinas, esteatitas, etc, conhecidas com o nome popular de pedra sabo de panela.

Quanto s pedras do exterior, h vrias referncias sobre elas, entre as quais a de Vauthier Apesar do emprego excessivo da pedra, no o prprio pas que fornece toda a que utilizada.

Acrescenta, porm, que no tanto penria do solo que se deve atribuir essa falta e sim a indiferena dos habitantes pela explorao das riquezas que o solo contm. Acrescenta-se a isto um resto do velho costume imposto pela avidez portuguesa, que tendia a forar a colnia a receber da me ptria uma quantidade de artigos que poderia obter por si mesma.

Ali, as riquezas naturais do solo foram e so ainda exploradas. O prprio recinto da cidade contm pedreiras de gnaisses e porfirides que esto longe de se esgotarem e embora no grande aqueduto da 11 Sistemas Construtivos Adotados na Arquitetura do Brasil carioca, representando-se que como determinava que assim se fizesse deviam ir os ditos canos de pedra desta Corte 12 13, construdo no sculo passado para abastecer a cidade, a velha teimosia portuguesa tenha feito de pedra de Lisboa a canaleira onde correm as guas dos numerosos edifcios modernos apresentam amostras do material do pais que seriam admiradas em qualquer lugar do mundo.

Alis, em outras obras, principalmente antes do sculo XIX, empregou-se a pedra portuguesa no Rio, como por exemplo, na Fortaleza da Ilha das Cobras, onde D. Mas no s no Rio de Janeiro era empregada pedra importada, apesar das grandes disponibilidades deste material ali. Tambm na Bahia, ainda Vauthier que nos conta: mostra, com orgulho que deveria surpreendermos, monumentos inteiros construdos com pedras do reino, as quais j vieram de l talhadas e numeradas. E, ainda em Pernambuco acrescenta Vauthier 15 a igreja do Corpo Santo Recentemente, ainda para a fachada de um teatro erigido nesta cidade, h alguns anos.

Outros monumentos do litoral, como a Conceio e a S da Bahia, a Matriz da Boa Vista 16, etc, empregaram tambm a pedra portuguesa. J para o interior, sem o transporte fcil dos navios vazios, no so empregadas se no pedras da prpria regio. Em Minas, por exemplo, no h informao segura do emprego da pedra portuguesa em qualquer monumento, a no ser numa referncia de Diogo de Vasconcelos sobre a portada do Palcio dos Governadores de Ouro Preto que com estudos mais recentes no parece proceder.

Por outro lado, se as pedras do reino foram empregadas em monumentos mais importantes, em obras pblicas, etc, no parece ser to freqente esta prtica apontada por Vauthier, quando consideramos o largo uso, em muito maior escala, de pedra nacional nas alvenarias, e nas construes particulares.

A profuso do material em quase todo o territrio nacional, evidentemente, foraria quase o seu intenso aproveitamento. Em Sergipe, o calcrio foi intensamente usado tanto nas igrejas, em obras de relevo ou de cantaria, como nas casas pobres, como cercaduras de vos, cimalhas, soleiras, etc. Em Olinda, segundo Ayrton de Carvalho, dois perodos podem ser determinados nas construes, um caracterizado pelo emprego de calcrios na cantaria e outro pelo emprego simultneo do calcrio e do arenito.

Alis, perodos assim acontecem em outras regies, como em Ouro Preto, onde as primeiras construes so de Conga, aparecendo mais tarde o itacolomito e depois ainda as pedras talcosas. Segundo Diogo de Vasconcelos 17 a cantaria belssima do Itacolomito s foi introduzida na arquitetura da cidade para as obras do Palcio, entre os anos de e , sendo preciso o brao forte do governo para o descortino eficaz das jazidas e aberturas dos carreiros.

Em Pernambuco, usou-se a princpio o arenito dos arrecifes e praias e depois o granito e o gnaisse, os primeiros, mais nas alvenarias e os ltimos, nas ombreiras, arcos, etc. Debret acrescenta ainda que esta pedra se liga mal ao cimento da cal geralmente usada e exige muros de grande espessura Assinala, ainda que o mais branco e mais tenro de todos o tirado da pedreira da Glria, e j aqui nota sua aplicao nas partes do edifcio que devem ser esculpidas, nas balaustradas, nos vasos, etc.

Entretanto, continua: Esta bela cor branca amarelece ao ar e acaba-se tornando ocre suja, ao passo que os mais duros, os granitos azul-viceos ou esverdeados tornam-se apenas mais escuros e podem ser polidos. Em outras regies, como no Piau, segundo Paulo Barreto, 21 22 as alvenarias so de lajes do rio, pedra do rio e cabea de jacar conglomerado natural de Tabatinga e pedra mida menor que o cascalho n 0, de grande resistncia, e de vidro e belo colorido roxo-avermelhado.

O arenito pedra do rio, como chamado, ocorre em vrias cores: branco, amarelo, verde, azul e vermelho. So pedras que se encontram soltas no terreno, blocos de diferentes tamanhos; apenas apanh-las e assent- las, pois no necessitam de maiores reparos. Encontramos em algumas cidades casas com material das paredes amostra, sem revestimento. Em Campo Maior, vimos uma casa construda com cabea de jacar, tendo as ombreiras e as pilastras dos cunhais feitas com lajes do rio.

Ocorrem ainda as pedras, quando lajes de dimenses razoveis, formando cercas de terreiros, colocadas verticalmente, enterradas no solo. Em monlitos prestaram-se tambm para compor pilares de sustentao das construes elevadas do solo.

EL EVANGELIO PERDIDO DE JUDAS ISCARIOTE PDF

Arquitetura no Brasil: Sistemas Construtivos

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74LVC244 DATASHEET PDF

Arquitetura no Brasil - Sistemas Construtivos - 1 Estruturas

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FORTEAN TIMES 2013 05 PDF

Sylvio de Vasconcellos

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